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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Câncer de mama: fatores de risco

 

Fatores de risco para o câncer de mama

1) Fatores de risco para câncer de mama que não podem ser alterados

1.1) Sexo feminino
Este é meio óbvio. Mulheres têm 100x mais chances de ter câncer de mama que homens. Nos EUA, anualmente são diagnosticados quase 200.000 novos cânceres de mama em mulheres contra apenas 2.000 em homens.
Câncer de mama1.2) Idade
O risco de câncer de mama aumenta abruptamente a partir do 45 anos de idade, chegando ao seu pico ao redor dos 65-70 anos. Cerca de 77% das mulheres com câncer de mama têm mais de 50 anos.
Enquanto o risco de câncer de mama em mulheres de 30 anos é de apenas 1 em 2000, em mulheres de 75 anos o risco é de 1 para 10.
1.3) Etnia
Brancos (caucasianos) são o grupo étnico com maior incidência de câncer de mama. Negros apresentam um risco levemente menor, porém, sua mortalidade é maior devido a tumores mais agressivos e ao fato desta população ser mais pobre e ter menos acesso a meios diagnósticos precoces. Hispânicos e asiáticos apresentam cerca de 30% menos risco de câncer de mama que brancos.
1.4) História familiar
Ter um parente de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco de tê-lo em 1.8 vezes. Ter dois parentes de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco em 2.9 vezes. Se você tem um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama antes dos 40 anos, então seu risco de também tê-lo antes dos 40 aumenta em 5.7 vezes.
Entretanto, apesar destes dados, apenas 15% das mulheres com câncer de mama apresentam história familiar positiva. Os outros 85% dos casos ocorrem em mulheres sem história familiar.
A história familiar também é importante na identificação de algumas mutações genéticas que favorecem o surgimento do câncer de mama. Quando vários familiares apresentam a doença, provavelmente estamos lidando com um família que possui mutações nos genes BRCA1 e BRCA 2. Mulheres com estes genes alterados apresentam 65% de chance de virem a ter câncer de mama até os 70 anos.
Os genes BRCA 1 e BRCA 2 são responsáveis por algo em torno de 5% de todos os câncer de mama. Portanto, a imensa maioria dos casos não estão relacionados a estas mutações.
Para saber mais detalhes sobre os genes BCRA1 e BRCA, leia: CÂNCER DE MAMA | Genes BRCA1 e BRCA2
1.5) História pessoal de câncer de mama
Quem já teve câncer de mama uma vez, apresenta 4x mais riscos de ter um segundo câncer de mama, seja na mesma ou na outra mama. Atenção: estou me referindo a um novo câncer de mama e não a recorrência do primeiro.
1.6) Lesões benignas da mama
A maioria das lesões benignas da mama não acarretam em maior risco de câncer de mama. Entre elas podemos citar fibroadenoma simples, alterações fibrocísticas, papiloma e ectasia ductal. Porém, algumas lesões como a hiperplasia ductal atípica e a hiperplasia lobular atípica são fatores de risco reconhecidos, aumentando em cerca de 5x o risco de câncer de mama.
1.7) Idade da menarca (primeira menstruação) e da menopausa
Mulheres com menarca precoce (antes dos 12 anos) e/ou menopausa tardia (após os 55 anos) apresentam maior risco de câncer de mama
1.8) Radiação na região do tórax
Pessoas com história prévia de câncer submetidas a radioterapia na região torácica, como no tratamento do linfoma (leia: LINFOMA HODGKIN | LINFOMA NÃO HODGKIN | Sintomas e prognóstico), pessoas expostas a radiação como os sobreviventes da bomba atômica ou pessoas que que entraram em contato com material radioativo, como em acidentes de usinas nucleares, apresentam maior risco de câncer de mama. Este risco é ainda maior se a exposição ocorreu durante a juventude.
1.9) Altura
Não sabe bem o porquê, mas mulheres mais altas apresentam maior risco de câncer de mama. Mulheres com mais de 1,75m apresentam 20% mais risco que mulheres abaixo de 1,60m.
1.10) Densidade das mamas
Mulheres com mamas mais densas apresentam maior risco de câncer de mama e uma maior dificuldade em diagnosticá-lo pela mamografia. Atenção: a densidade da mama não necessariamente tem a ver com seu tamanho.

2) Fatores de risco para câncer de mama que podem ser alterados

2.1) Idade do primeiro filho e número de filhos
Mulheres que têm o primeiro filho cedo apresentam menor risco de câncer de mama quando comparadas com mulheres que só dão a luz após os 30 anos de idade. Mulheres com o primeiro filho antes dos 20 anos apresentam menos riscos que mulheres com o primeiro filho aos 25 anos, que por sua vez, apresentam menor risco que as mulheres com primeiro parto após os 30 anos.
Mulheres acima dos 40 anos que nunca tiveram filhos são as que apresentam maior risco, cerca de 30% maior que mulheres com filhos. Estima-se que cada filho reduza em 7% o risco de câncer de mama.
2.2) Amamentação
Amamentar reduz o risco de câncer de mama. Estima-se uma redução de 4.3% para cada 12 meses de amamentação realizada. Mulheres com prole grande e com longo tempo de amamentação estão mais protegidas.
2.3) Pílulas anticoncepcionais
Existe controvérsia sobre a influência dos anticoncepcionais no câncer de mama. Atualmente aceita-se que haja um pequeno aumento no risco, que desaparece após sua suspensão. Porém, existe uma grupo de especialista que contesta a metodologia dos trabalhos que mostram esta relação. O fato é que, mesmo que haja aumento de risco, este é pequeno.
2.4) Terapia de reposição hormonal
A terapia de reposição hormonal, principalmente a que combina estrogênio com progesterona, está relacionada a um maior risco de câncer de mama. Este efeito, porém, só ocorre quando o uso é feito por mais de 2-3 anos.
Quanto maior o tecido gorduroso, maior o risco de câncer de mama. Mulheres com IMC maior que 33 kg/m2 apresentam 27% mais risco que mulheres com IMC normal. Este risco é ainda maior em mulheres após a menopausa.
2.6) Consumo de álcool (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO)
O consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama. Quanto maior o consumo, maior o risco. O álcool ainda parece potencializar os risco da terapia de reposição hormonal.
2.7) Atividade física
Exercícios físicos diminuem o risco de câncer de mama, independente do seu efeito na redução de peso. Mesmo 40 minutos de caminhada 3x por semana já é suficiente para reduzir o risco. Mulheres que praticam exercícios mais intensos, como até 10 horas semanais de caminhada ou 3 horas semanais de corrida, chegam a ter até 40% menos chance de desenvolver câncer de mama.
A Sociedade Americana de Oncologia recomenda 45 minutos diários de exercícios por pelo menos 5 dias por semana.
2.8) Trabalho noturno
Mulheres que trabalham em turnos noturnos apresentam um risco maior de câncer de mama. Isto provavelmente ocorre por alterações na secreção dos hormônios circadianos como a melatonina, que ocorre normalmente durante a madrugada, mas que é inibida pela luz artificial.

3) Mitos sobre os riscos para o câncer de mama

3.1) Uso de sutiã
Ao contrário do que ultimamente tem corrido a internet por e-mails, não há nenhuma comprovação científica de que o uso de sutiã aumente o risco de câncer de mama. Na verdade, o único trabalho que mostrou uma discreta elevação de risco apresentava uma falha metodológica, já que o número de mulheres obesas e com mamas densas, conhecidos fatores de risco, que usavam sutiã era maior que o de mulheres magras.
Existe também um livro chamado “Dressed to Kill” dos autores Sydney Ross Singer e Soma Grismaijer que levantam a hipótese do sutiã causar câncer de mama. Este livro é baseado em teorias e não há trabalhos científicos publicados que as comprovem.
Portanto, à luz do atual conhecimento científico, pode-se afirmar que o sutiã não causa câncer de mama.
3.2) Aborto
Tanto o aborto induzido quanto o aborto espontâneo não aumentam o risco de câncer de mama
3.3) Desodorantes antitranspirante (antiperspirante)
Mais um dos rumores levantados por correntes de e-mail. Não há nenhum embasamento científico e a própria teoria por trás do mito é falha já que o corpo não elimina toxinas pelo suor. Nosso suor é composto em 99% apenas de água e sais minerais.Quem elimina toxinas no nosso organismo são os rins e o fígado.
Portanto, usar desodorantes não causa câncer de mama.
3.4) Implantes mamários de silicone
Implantes de silicone não aumentam o risco de câncer de mama, porém, eles podem criar cicatrizes e dificultar a visualização de tumores pela mamografia, sendo muitas vezes necessária a realização de incidências adicionais nas radiografias.
3.5) Cafeína
Não existem trabalhos que atestem qualquer relação entre consumo de cafeína e câncer de mama.
3.6) Mamografias rotineira
Outro rumor comum é de que a exposição ao radiação em mamografias realizadas anualmente possa aumentar o risco de câncer de mama. Isto também é mito uma vez que a radiação usada em cada exame é extremamente baixa. Na verdade, recebemos anualmente aproximadamente o dobro de radiação de uma radiografia apenas pela exposição solar natural do dia-a-dia.
3.7) Traumas
Não há nenhum estudo que demonstre relação entre traumas na mama e o desenvolvimento de câncer de mama.


Leia o texto original no site MD.Saúde: FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER DE MAMA - MD.Saúde http://www.mdsaude.com/2010/06/cancer-de-mama-fatores-de-risco.html#ixzz2flncdQat


 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Câncer de Mama

Mamas são glândulas cuja principal função é a produção do leite, que se forma nos lóbulos e é conduzido até os mamilos por pequenos canais chamados ductos. Quando as células da mama passam a dividir-se de forma desordenada, um tumor maligno pode instalar-se principalmente nos ductos e mais raramente nos lóbulos.
Câncer de mama é uma doença que acomete mais as mulheres. São fatores de risco a idade avançada, a exposição prolongada aos hormônios femininos, o excesso de peso e a história familiar ou de mutação genética. Ser portadora dos genes BRCA1 e BRCA2 é um fator de risco importante.
Estão também mais propensas a desenvolver a doença por causa da longa exposição aos hormônios femininos, as mulheres que não tiveram filhos ou tiveram o primeiro filho após os 35 anos, não amamentaram, fizeram uso de reposição hormonal (principalmente com estrogênio e progesterona associados), menstruaram muito
cedo (antes dos 12 anos) e entraram mais tarde na menopausa (acima dos 50 anos).
No entanto, há casos de mulheres que desenvolvem a doença sem apresentar fatores de risco identificáveis.
Sintomas
Em geral, o primeiro sinal da doença costuma ser a presença de um nódulo único, não doloroso e endurecido na mama. Outros sintomas, porém, devem ser considerados, como a deformidade e/ou aumento da mama, a retração da pele ou do mamilo, os gânglios axilares aumentados, vermelhidão, edema, dor e a presença de líquido nos mamilos.
Diagnóstico
A mamografia (raios-X das mamas) é o exame mais indicado para detectar precocemente a presença de nódulos nas mamas. O exame clínico e outros exames de imagem e laboratoriais também auxiliam a estabelecer o diagnóstico de certeza.
Apesar de a maioria dos nódulos de mama ter características benignas, para afastar qualquer erro de diagnóstico, deve ser solicitada uma biópsia para definir se a lesão é maligna ou não e seu estadiamento (análise das características e da extensão do tumor).
Tratamento
As formas de tratamento variam conforme o tipo e o estadiamento do câncer. Os mais indicados são: quimioterapia (uso de medicamentos para matar as células malignas), radioterapia (radiação), hormonoterapia (medicação que bloqueia a ação dos hormônios femininos) e cirurgia, que pode incluir a remoção do tumor ou mastectomia (retirada completa da mama).
O tratamento pode, ainda, incluir a combinação de dois ou mais recursos terapêuticos.
Recomendações
* Faça o autoexame das mamas mensalmente, de preferência no 7º ou 8º dias após o início da menstruação, se você é mulher e tem mais de 20 anos, pois cerca de 90% dos tumores  são detectados pela própria paciente;
* Procure o médico para submeter-se ao exame das mamas a cada 2 ou 3 anos, se está entre 20 e 40 anos; acima dos 40 anos, realize o exame anualmente;
* Não se esqueça de que a mamografia deve ser realizada todos os anos;
* Atenção: embora menos comum, o câncer de mama também pode atingir os homens. Portanto, especialmente depois dos 50 anos, eles não podem desconsiderar sinais da doença como nódulo não doloroso abaixo da aréola, retração de tecidos, ulceração e presença de líquido nos mamilos.

O câncer de mama é hoje uma doença presente em milhares de famílias ao redor do mundo. Principalmente nos grandes centros urbanos, devido à concentração populacional, o número de casos é expressivo.
Já se sabe que o câncer de mama não é uma doença única, mas, sim, um grupo de moléstias distintas categorizadas com o mesmo nome. A experiência também tem mostrado que pacientes com tumores muito iguais no tamanho e na microscopia podem evoluir com prognósticos diferentes. No passado, nós nos surpreendíamos com o fato de que algumas pacientes com tumores volumosos apresentavam sobrevida longa e até eram passíveis de cura, enquanto outras, com tumores minúsculos, logo evoluíam para disseminação da doença e morriam. A grande interrogação que se impunha naquele momento era o que determinava tamanha diferença.
Atualmente, a classificação usada para avaliar o risco de recidiva dos tumores baseia-se em parâmetros morfométricos (tamanho do tumor, presença ou não de comprometimento por neoplasia das ínguas axilares, formato das células, entre outros). Apesar de útil, essa classificação não é muito precisa, pois admite inúmeras variáveis. Diante dessa constatação, os pesquisadores se voltaram para encontrar um método de avaliação que determinasse com mais segurança o risco de recidivas. A resposta que encontraram parece estar ligada ao genoma celular. Com base no maior conhecimento das estruturas intra e extracelulares e de suas funções, descobriram que certos receptores denominados oncogenes desencadeiam ou inibem a multiplicação de uma célula com defeitos específicos para cânceres. Esses receptores, que podem ser hormonais, fatores de crescimento, citocinas ou neurotransmissores, estão presentes na superfície ou no interior das células e estimulam, por vias especificas, os núcleos e as células alteradas a se multiplicarem desenfreadamente formando um tumor. Sob tais condições, as células tumorais perdem a capacidade de envelhecer e morrer, ou seja, a capacidade de apoptose (morte celular programada). Só quando conseguimos controlar esses receptores, modulando-os, podemos devolver às células a capacidade de envelhecer e destruir o tumor.
Os medicamentos usados com tal propósito são chamados de “drogas alvo”, Outra de suas vantagens é que apresentam efeitos adversos menores que os da quimioterapia convencional (queda de cabelo, anemia, infecções e outros). Quem determina as variáveis de receptores de ativação ou inibição é o DNA celular (expressão gênica tumoral).
Após a decodificação do código genético humano, foi possível criar perfis gênicos que oferecem um diagnóstico molecular para o câncer de mama. O mais conhecido e utilizado é o Oncotype DX. Esse exame molecular avalia 21 genes relacionados com o crescimento e disseminação do câncer de mama. Atualmente, ele é utilizado em pacientes que apresentam tumores com receptores de estrógeno positivos, para prognosticar o risco de recidiva e a necessidade ou não de adicionar um tratamento quimioterápico. Quando o Oncotype DX revela que o tumor possui risco baixo de voltar, a quimioterapia poderá deixar de ser realizada.
Em mais de 35% dos casos, o resultado desse teste permite alterar a conduta médica previamente estabelecida, uma vez que oferece elementos para determinar se uma paciente portadora de câncer de mama in situ precisará ou não de radioterapia após a cirurgia.
Outros genes estão sendo testados e avaliados para predizerem respostas a determinados medicamentos para o câncer de mama, por exemplo, a resposta a taxanos e ao trastuzumab. Para outros tumores também já existem testes para avaliar genes “mutados” ou não, que podem antecipar se haverá resposta a um medicamento especifico.
Estamos no inicio de uma nova época na historia da medicina. Isso nos autoriza dizer que, em futuro breve, baseados no estudo do genoma de cada indivíduo, estaremos tratando pacientes com medicações feitas especificamente para ele.
Daqui.



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nova forma de diagnosticar o câncer de mama:


Por Donizetti Ramos dos Santos, médico do Núcleo da Mastologia do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo-SP

Todas são maçãs, mas têm características diferentes. O mesmo acontece com o tumor de mama.

O câncer de mama é hoje uma doença presente em milhares de famílias ao redor do mundo. Principalmente nos grandes centros urbanos, devido à concentração populacional, o número de casos é expressivo.

Já se sabe que o câncer de mama não é uma doença única, mas, sim, um grupo de moléstias distintas categorizadas com o mesmo nome. A experiência também tem mostrado que pacientes com tumores muito iguais no tamanho e na microscopia podem evoluir com prognósticos diferentes. No passado, nós nos surpreendíamos com o fato de que algumas pacientes com tumores volumosos apresentavam sobrevida longa e até eram passíveis de cura, enquanto outras, com tumores minúsculos, logo evoluíam para disseminação da doença e morriam. A grande interrogação que se impunha naquele momento era o que determinava tamanha diferença.

Atualmente, a classificação usada para avaliar o risco de recidiva dos tumores baseia-se em parâmetros morfométricos (tamanho do tumor, presença ou não de comprometimento por neoplasia das ínguas axilares, formato das células, entre outros). Apesar de útil, essa classificação não é muito precisa, pois admite inúmeras variáveis. Diante dessa constatação, os pesquisadores se voltaram para encontrar um método de avaliação que determinasse com mais segurança o risco de recidivas. A resposta que encontraram parece estar ligada ao genoma celular. Com base no maior conhecimento das estruturas intra e extracelulares e de suas funções, descobriram que certos receptores denominados oncogenes desencadeiam ou inibem a multiplicação de uma célula com defeitos específicos para cânceres. Esses receptores, que podem ser hormonais, fatores de crescimento, citocinas ou neurotransmissores, estão presentes na superfície ou no interior das células e estimulam, por vias especificas, os núcleos e as células alteradas a se multiplicarem desenfreadamente formando um tumor. Sob tais condições, as células tumorais perdem a capacidade de envelhecer e morrer, ou seja, a capacidade de apoptose (morte celular programada). Só quando conseguimos controlar esses receptores, modulando-os, podemos devolver às células a capacidade de envelhecer e destruir o tumor.

Os medicamentos usados com tal propósito são chamados de “drogas alvo”, Outra de suas vantagens é que apresentam efeitos adversos menores que os da quimioterapia convencional (queda de cabelo, anemia, infecções e outros). Quem determina as variáveis de receptores de ativação ou inibição é o DNA celular (expressão gênica tumoral).

Após a decodificação do código genético humano, foi possível criar perfis gênicos que oferecem um diagnóstico molecular para o câncer de mama. O mais conhecido e utilizado é o Oncotype DX. Esse exame molecular avalia 21 genes relacionados com o crescimento e disseminação do câncer de mama. Atualmente, ele é utilizado em pacientes que apresentam tumores com receptores de estrógeno positivos, para prognosticar o risco de recidiva e a necessidade ou não de adicionar um tratamento quimioterápico. Quando o Oncotype DX revela que o tumor possui risco baixo de voltar, a quimioterapia poderá deixar de ser realizada.

Em mais de 35% dos casos, o resultado desse teste permite alterar a conduta médica previamente estabelecida, uma vez que oferece elementos para determinar se uma paciente portadora de câncer de mama in situ precisará ou não de radioterapia após a cirurgia.

Outros genes estão sendo testados e avaliados para predizerem respostas a determinados medicamentos para o câncer de mama, por exemplo, a resposta a taxanos e ao trastuzumab. Para outros tumores também já existem testes para avaliar genes “mutados” ou não, que podem antecipar se haverá resposta a um medicamento especifico.

Estamos no inicio de uma nova época na historia da medicina. Isso nos autoriza dizer que, em futuro breve, baseados no estudo do genoma de cada indivíduo, estaremos tratando pacientes com medicações feitas especificamente para ele.

Daqui:

sexta-feira, 16 de março de 2012

Tratamento Hormonal do Câncer de Mama



Texto do Dr. Dráuzio Varella

As glândulas mamárias são muito sensíveis à ação dos hormônios sexuais. Quando a menina chega à puberdade, essas glândulas se desenvolvem porque os ovários liberam na circulação quantidades altas de estrógeno e progesterona. Por razão semelhante, hormônios femininos fazem crescer as mamas dos homens.
Estrógeno e progesterona exercem sua ação no tecido mamário ao ligar-se com moléculas situadas no núcleo das células, conhecidas como receptores. A ligação das moléculas de estrógeno e de progesterona a esses receptores é que vai controlar a multiplicação celular nas glândulas mamárias, para atender às exigências da vida sexual e reprodutiva.
Na menopausa, como os ovários param de funcionar, as concentrações de estrógeno na circulação caem significativamente, mas não chegam a zero porque as suprarrenais, glândulas situadas logo acima dos rins, passam a funcionar como vias alternativas de produção.
Os hormônios sexuais então produzidos pela suprarrenal, ao sofrer a ação de uma enzima chamada aromatase, dão origem aos estrógenos. Esse processo é conhecido como aromatização.

IMUNOISTOQUÍMICA

A transformação maligna desorganiza a estrutura celular de tal forma que os receptores de estrógeno e progesterona podem diminuir de número ou mesmo desaparecer do núcleo. De cada 4 pacientes, 3 terão tumores com receptores positivos e uma será negativa.
Ao operar essas mulheres, o médico retira amostras de tecido tumoral e as envia para o exame imunoistoquímico, a fim de que o patologista tinja o material com colorações especiais para verificar se os receptores hormonais estão presentes ou ausentes.
Existem três resultados possíveis: ambos receptores estão presentes (ER-positivo e PR-positivo); apenas um deles está presente (ER-positivo e PR-negativo ou vice-versa), ou nenhum deles está (ER-negativo e PR-negativo).

IMPLICAÇÕES DO TRATAMENTO

Há mais de 100 anos foi descrita pela primeira vez a remissão de tumores mamários disseminados através da retirada cirúrgica dos ovários (ooforectomia) de pacientes que ainda menstruavam. Desde então, foram múltiplas as tentativas de tratar casos de câncer de mama por meio de manipulações hormonais. Os resultados colhidos nos últimos 30 anos permitiram tirar as seguintes conclusões:
1 – Quanto mais intensa a positividade dos receptores, maior a chance de resposta. O tratamento hormonal não está indicado quando ambos são negativos, porque a probabilidade de resposta é menor do que 10%.
2 – Pacientes com positividade de pelo menos um dos receptores apresentam maiores chances de cura quando, depois da cirurgia, recebem tratamento hormonal (hormonoterapia adjuvante) durante 5 anos.
3 – Pacientes portadoras de tumores avançados localmente, com positividade de pelo menos um dos receptores, quando submetidas à hormonoterapia (nesse caso denominada de neoadjuvante ou primária), podem experimentar redução da massa tumoral a ponto de se tornarem candidatas a cirurgias bem menos extensas.
4 – Na doença avançada, o tratamento hormonal é capaz de induzir remissões mais duradouras do que a quimioterapia, com muito menos efeitos colaterais. Por isso, deve ser indicado como primeira opção, exceto em situações nas quais exista risco de morte a curto prazo, porque a resposta à manipulação hormonal é mais lenta do que aos agentes quimioterápicos.



ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO NAS PACIENTES COM RECEPTORES POSITIVOS

O objetivo do tratamento hormonal é impedir que os estrógenos se liguem a seus receptores para atuar como fator de crescimento das células mamárias malignas. Essa estratégia pode envolver:

Supressão da atividade ovariana
Antes da menopausa, a retirada cirúrgica dos ovários (ooforectomia cirúrgica), ou o bloqueio da função ovariana com drogas (ooforectomia química) provoca queda brusca na produção de estrógeno, privando as células tumorais do estímulo para multiplicar-se.

Moduladores seletivos do receptor de estrógeno
São drogas que se ligam aos receptores de estrógeno situados no núcleo das células tumorais, impedindo que o estrógeno o faça. Agem como se ocupassem ou obstruíssem a fechadura de uma porta para impedir que a chave pudesse abri-la. Podem ser empregados na pré e na pós-menopausa. São exemplos dessa classe: tamoxifeno, toremifeno, raloxifeno e fulvestranto.

Inibidores da aromatase
São indicados apenas depois de instalada a menopausa. Ao inibir a ação da enzima aromatase, esses medicamentos impedem a transformação dos hormônios sexuais liberados pela suprarrenal em estrógeno, privando as células malignas desse fator de crescimento. Na clínica, usamos os chamados inibidores da aromatase de terceira geração: letrozol, anastrazol e exemestano.

INDICAÇÕES DO TRATAMENTO NAS PACIENTES COM RECEPTORES POSITIVOS

Está bem estabelecida a eficácia do tratamento hormonal tanto na prevenção quanto nos casos em que a doença já se estabeleceu.

Quimioprevenção
O câncer de mama tem incidência alta: em cada 8 a 10 mulheres, uma apresentará a doença no decorrer da vida. Algumas, no entanto, apresentarão risco mais elevado. Cabe ao médico avaliar se é esse o caso. Se for, além de propor exames mais frequentes, ele poderá indicar o tratamento hormonal preventivo, que será administrado durante um período de cinco anos. A droga será escolhida de acordo com a fase da vida reprodutiva:

a) antes da menopausa:
Nas mulheres antes da menopausa, esse tratamento só pode ser feito com os moduladores seletivos do receptor de estrógeno, uma vez que os inibidores de aromatase não devem ser prescritos antes que os ovários parem de funcionar.
No final da década passada, foi publicado um estudo (NSABP P1) conduzido entre 13 mil mulheres com risco mais elevado de desenvolver câncer de mama. Entre elas, as que receberam tamoxifeno durante 5 anos apresentaram redução de 50% do risco de desenvolver a doença. Outro grande estudo recém-publicado (STAR) demonstrou eficácia semelhante do raloxifeno.

b) depois da menopausa:
Embora o tamoxifeno seja eficaz na químioprevenção nessa fase, os inibidores de aromatase parecem ser dotados de mais atividade. Dois estudos que compararam anastrazol (ATAC) e letrozol (MA17) realizados com a finalidade de prevenir recidivas depois da cirurgia demonstraram ser essas drogas mais eficazes do que o tamoxifeno na redução da incidência de câncer na mama oposta à operada.

Hormonioterapia adjuvante
Iniciada logo depois da cirurgia, a hormonoterapia adjuvante mantida durante pelo menos 5 anos é o tratamento de escolha para quase todas as pacientes com receptores hormonais positivos.

Na década de 1990, foi publicada uma análise (EBCTCG) que procurou avaliar os estudos feitos com o tamoxifeno em mais de 37 mil mulheres operadas de câncer de mama (metanálise). Os resultados mostraram que a hormonoterapia adjuvante com tamoxifeno reduz em média 47% das recidivas da doença e 26% da mortalidade.
O tratamento hormonal adjuvante deve ser indicado de acordo com a fase reprodutiva. As conclusões abaixo foram tiradas de estudos que envolveram mais de 100 mil mulheres operadas de câncer de mama localizado:

a) antes da menopausa:

* Ooforectomia cirúrgica que induz menopausa definitiva ou ooforectomia química com drogas que suspendem as menstruações enquanto forem administradas;

* Tamoxifeno durante cinco anos. A administração de tamoxifeno por menos tempo ou por períodos maiores compromete em parte os resultados do tratamento.

b) depois da menopausa:

* Letrozol, anastrazol ou exemestane administrados durante 5 anos e comparados com tamoxifeno pelo mesmo período provocam maior redução na incidência de metástases, de um novo câncer na mama oposta e no índice de curas;

* Pacientes que, depois de receberem tamoxifeno durante 2 ou 3 anos, passam a tomar letrozol, têm menos recidivas e aumento da sobrevida em relação às que continuaram recebendo tamoxifeno até completar 5 anos;

* Pacientes que, depois de 5 anos de tratamento com tamoxifeno, recebem mais 5 anos de letrozol, têm menor número de recidivas locais, de doença metastática e de câncer na mama oposta, do que as mantidas sem tratamento depois do tamoxifeno. A longa duração do tratamento faz com que ele seja indicado apenas nas situações em que o risco de disseminação é mais elevado;

* Diversos autores propõe que as mulheres em menopausa operadas de tumores com características mais agressivas devam iniciar a hormonoterapia adjuvante já com inibidores de aromatase, para otimizar os resultados. São contrários à administração do tamoxifeno durante os dois primeiros anos, porque muitas das recidivas já podem ocorrer nesse período, enquanto estão sob a ação de uma droga menos eficaz.



HORMONIOTERAPIA NEOADJUVANTE

É o tratamento indicado antes da cirurgia no caso de tumores avançados localmente.
Nessa fase, o tratamento hormonal tem duas funções: testar “in vivo” a eficácia do tratamento e reduzir as dimensões do tumor criando a possibilidade de cirurgias mais conservadoras, anteriormente impossíveis do ponto de vista técnico.
a) antes da menopausa

As mesmas indicações anteriores: ooforectomia cirúrgica ou química e tamoxifeno;

b) depois da menopausa

É praticamente consenso a utilização de inibidores de aromatase como tratamento de primeira linha. Numa comparação feita entre letrozol e tamoxifeno neoadjuvante, 60% das pacientes que receberam tamoxifeno apresentaram resposta e 48% puderam realizar cirurgias conservadoras, contra 41% e 36% respectivamente nas que foram tratadas com tamoxifeno.


DOENÇA METASTÁTICA

Desde que a apresentação da doença metastática não seja grave a ponto de ameaçar a vida a curto prazo, a hormonoterapia deve ser proposta como tratamento inicial.

a) antes da menopausa

* Ooforectomia cirúrgica ou química;

* Tamoxifeno diariamente até haver progressão da doença. Documentada a progressão, ele deve ser substituído por injeções de fulvestranto a cada 4 semanas, porque essa droga age de forma diversa nos receptores de estrógeno.

b) depois da menopausa

A tendência atual é iniciar o tratamento com inibidor de aromatase. Mas, a estratégia de iniciá-lo com tamoxifeno e reservar os inibidores de aromatase e o fulvestranto para as recidivas ainda é empregada.

Daqui.


domingo, 26 de junho de 2011

MAMOGRAFIA DIGITAL


O Instituto do Câncer de Mama está com uma importante campanha.

Cabe a nós atendermos sua solicitação e ampará-lo, pois se depender do Governo (Federal/Estadual/Municipal) será nosso fim!!!

Vamos salvar o site do câncer de mama?

Não custa nada.

O Site do câncer de mama está com problemas, pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhes permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda. Demora menos de um segundo, ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz 'Campanha da Mamografia Digital Gratuita'.
Não custa nada e é por meio do número diário de pessoas que clicam que os patrocinadores oferecem a mamografia em troca de publicidade.

http://cancerdemama.com.br

Obrigada!

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