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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Mulheres e palavras surradas



Estamos em plena revolução feminista parte 2. Depois de inúmeras conquistas resultantes do surgimento da pílula anticoncepcional e da nossa entrada no mercado de trabalho, pausamos, recarregamos as baterias e agora voltamos à luta, rebatizada de empoderamento e direcionada, principalmente, à violência contra a mulher.
Acho empoderamento uma palavrinha detestável: é por causa da atração pelo poder que o Brasil está metido em encrenca e vive no atraso. Poder é um verbete obsoleto no meu dicionário. Troco empoderamento por conscientização e autoestima – autoestima também não é das melhores palavras, tornou-se um clichê, mas é do que precisamos.
Por que as mulheres são agredidas? Porque se envolvem com homens brutos, ignorantes, machistas: resposta simples. A resposta complexa vai um pouco além. Violência não deixa de ser um contato. O homem que bate no seu rosto, que queima seu braço, que chuta sua barriga e que puxa seu cabelo está enxergando você, está interagindo – da maneira mais cruel, mas está. Eis o perigo: a violência cria a ilusão de vínculo.
Para algumas, a indiferença pode ser muito mais atroz.
Por que ela não cai fora no primeiro tapa? Mulheres seguras não levam adiante uma relação agressiva, suspendem o ultimate fighting assim que ele começa e partem para outra história que seja realmente de amor, e não de carência, de dominação, de submissão. O primeiro tapa tem que ser sempre o último. Mas não é o que acontece: ele gera o segundo. Que gera o terceiro. Que gera todos os outros até a situação ficar insustentável. Decorre um longo tempo até chegar ao ponto do “não aguento mais”. Por que se aguentou tanto antes?
Dependemos do olhar do outro. Queremos ser admiradas, amadas, desejadas. Mas isso não deve valer para o olhar perverso que nos vê como um objeto onde descarregar frustrações. O cara não se suporta e desconta em você – é justo isso? E você segura a onda porque acha que o empurrão dele também é uma espécie de toque. Ele, através da pancadaria, está se relacionando com seu corpo e reconhecendo sua existência. A ausência do olhar dele – e do ataque dele – a transformaria em nada.
É por isso que aquela palavrinha surrada (ela também) tem que ser reforçada: autoestima. Não precisamos temer a solidão. Estar consigo mesma é companhia suficiente. Uma mulher sem homem tem mais valor do que uma mulher com um homem babaca, covarde, pequeno. Nenhuma intimidação é romântica. Sofrimentos emocionais são inevitáveis, mas ter o corpo submetido à violência física não dá poema, não dá filme, não dá nenhuma canção bonita. Tem que dar cadeia, apenas isso.
A grande revolução feminista passa pela consciência de que a solidão não é humilhante, a renúncia à nossa integridade é que é.
Martha Medeiros

domingo, 18 de maio de 2014

O AUGE DO DESESPERO FEMININO



Fabrício Carpinejar

Eu sei quando uma mulher está desesperada. Bem desesperada. Altamente desesperada. Quando ela está prestes a se separar, ou romper os laços com o trabalho, quando não aguenta sua rotina, quando expulsa os demônios, quando não responderá mais nada educadamente, quando não pretende conversar, quando atravessou a arrebentação e agora irá gritar e não fique por perto e não busque acalmá-la, que ela passou realmente dos limites e não adianta fazer o que ela pediu ou falar o que ela desejava ouvir, pois é tarde.

Quando ela tomar esta atitude, deu, foi, o vulcão rugiu e cobrirá o dia de tremores.

A mulher está desesperada na hora em que derruba o conteúdo de sua bolsa sobre a mesa, na hora em que despeja sua bolsa, na hora em que vira de cabeça para baixo sua bolsa, na hora em que derruba tudo desprovida de compaixão, desligada do cuidado se alguma coisa quebrará no choque com a realidade.

A bolsa é seu controle, sua memória, sua casa portátil.

O gesto tem uma dramaticidade de ópera, um sentido de ária. Significa o fim dos bons modos, sinaliza a rendição ao caos, nada será como antes.

Na sua mentalidade, expor os segredos da bolsa é desistir da razão ou da forma como enfrentava as adversidades até aquele momento.

A bolsa é a derradeira fronteira da aparência, os limites entre a cidade e o inferno.

Se ela deixou de procurar o que queria encontrar com a eficiência do tato, se ela deixou de procurar o que queria encontrar com a luz do celular, se ela não achou o que queria nem com os olhos das mãos muito menos com os olhos dos olhos, é que o negócio é sério, ela explodiu, perdeu a paciência, dobrou a esquina do desaforo.

A bolsa é seu equilíbrio, guarda o que precisa lá, conserva o que gosta lá, conhece exatamente seus zíperes, seus bolsos, seus esconderijos.

A bolsa é sua alma, seu chacra, seu yinyang, seu espírito.

Quando tem consciência da localização das coisas na bolsa, está tranquila, está centrada, está focada, está confiante.

Jogar fora o que vai dentro expõe que a situação não tem conserto, é uma medida extrema de mudança de personalidade.

Ao despejar a bolsa, ela verá o que foi sua vida no último mês. O que ela tentou esconder de si mesma. E iniciará uma faxina sem precedentes.

Todo cuidado é pouco, você pode desaparecer junto.

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4, 04/2/2014
Porto Alegre (RS), Edição N° 17722



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Grandes e pequenas mulheres



 Grandes e pequenas mulheres Há mulheres de todos os gêneros. Histéricas, batalhadoras, frescas, profissionais, chatas, inteligentes, gostosas, parasitas, sensacionais. Mulheres de origens diversas, de idades várias, mulheres de posses ou de grana curta. Mulheres de tudo quanto é jeito. Mas se eu fosse homem prestaria atenção apenas num quesito: se a mulher é do tipo que puxa pra cima ou se é do tipo que empurra pra baixo.
 Dizem que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher. Meia-verdade. Ele pode ser grande estando sozinho também. Mas com uma mulher xarope ele não vai chegar a lugar algum.
 Mulher que puxa pra cima é mulher que aposta nas decisões do cara, que não fica telefonando pro escritório toda hora, que tem a profissão dela, que o apóia quando ele diz que vai pedir demissão por questões éticas e que confia que vai dar tudo certo.
 Mulher que empurra pra baixo é a que põe minhoca na cabeça dele sobre os seus colegas, a que tem acessos de carência bem na hora que ele tem que entrar numa reunião, a que não avaliza nenhuma mudança que ele propõe, a que quer manter tudo como está.
 Mulher que puxa pra cima é a que dá uns toques na hora de ele se vestir, a que não perturba com questões menores, a que incentiva o marido a procurar os amigos, a que separa matérias de revista que possam interessá-lo, a que indica livros, a que faz amor com vontade.
 Mulher que empurra pra baixo é a que reclama do salário dele, a que não acredita que ele tenha taco pra assumir uma promoção, a que acha que viajar é despesa e não investimento, a que tem ciúmes da secretária.
 Mulher que puxa pra cima é a que dá conselhos e não palpite, a que acompanha nas festas e nas roubadas, a que tem bom humor.
 Mulher que empurra pra baixo é a que debocha dos defeitos dele em rodinhas de amigos e que não acredita que ele vá mais longe do que já foi.
  Se por trás de todo grande homem existe uma grande mulher, então vale o inverso também: por trás de um pequeno homem talvez exista uma mulher pequena.

Martha Medeiros

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vou faxinar a vida!


Vou faxinar a vida!
Estel@


Levantei e resolvi fazer uma faxina daquelas, bem feita ,retirar as dores, tristezas e decepções. Pronto, cansei de ficar pensando o que poderia ter sido,
e não foi.. esperando explicação para o porquê...porque sim, uai...
E para começar vou limpar o espelho, passar um pano com para desembaçar, e colocar nele o meu melhor e mais sincero sorriso, um creme qualquer para remover as marcas da minha testa. Rugas nunca mais!
E lá vou eu para o armário, arrumar , doar, e colocar as cores em evidência.
Agora só falta as janelas, vidros bem limpos para ver lá fora o que pode estar escondido dentro de mim.
Pronto, tá feita a faxina, rápida e sem dor!
Agora um bom banho perfumado e estou pronta para sair, ver o mundo, pessoas, uma passadinha no cabeleireiro para dar uma repaginada,  umas comprinhas porque ninguém é de ferro, e eu mereço, quem sabe pegar um cineminha. Quanto tempo não vou ver um bom filme, daqueles para rir, chorar ou emocionar. Estou pronta.
E quem não quiser me ver assim, alegre e tentando ser feliz.....
vá pentear macaco....e
sai da frente que atrás vem gente.....
Tenho dito!
Bom dia, dia de ser feliz!!!


Recebi por e-mail da querida amiga Estel@!!!



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mulher de atitude assusta ou encanta?



Nos últimos 30 anos, mais ou menos, o universo feminino tem experimentado profundas e inimagináveis mudanças. Se isso é bom ou ruim? Depende! Depende de como cada mulher encara e lida com essas mudanças. Depende da flexibilidade, da capacidade de ponderação, da noção de si em relação ao que acontece no mundo.

Enfim, mudanças são inevitáveis desde que a humanidade existe. Isto é fato e, portanto, indiscutível. Agora, sabemos que quando se trata de coração, amor e relações afetivas, as mudanças são sempre polêmicas e pedem um tempo para serem compreendidas, assimiladas e transformadas em possibilidades positivas, altruístas e criativas. Cada um no seu ritmo, ao seu tempo...

E com as mulheres de atitude, o caso não é diferente! Hoje mesmo, pra começarmos a ter uma noção de que tipo de atitude podemos estar falando, recebi uma notícia por e-mail que dizia assim: Site de traição registra mais de 11 mil mulheres em apenas um dia. Brasil é o país com maior índice de traição e amantes nos locais onde o site já atua. Obviamente, o título me chamou a atenção e fui ler do que se trata. Resumindo: foi criado um site, já presente em vários países, e lançado no Brasil há 42 dias, para pessoas infelizes no atual relacionamento encontrarem amantes dispostos a ter apenas casos discretos.

A matéria aponta o número de registros de homens – que ainda é maior comparado com o das mulheres – e ainda arrisca estatísticas e razões para tudo isso. E fiquei me perguntando: o que é que está acontecendo conosco, meu Deus? O que significa essa busca? Medo? Conformismo? Desesperança? Excesso de atitude feminina? Falta de atitude masculina? Tudo isso junto e ao mesmo tempo?

Bem, penso que nenhuma dessas perguntas ou das respostas que poderíamos encontrar sejam um motivo por si só. Evidente que esse panorama é resultado dessas últimas décadas de mudança não só nas atitudes femininas como também nas masculinas. E muito mais vêm por aí, sem dúvida.

Somos um sistema. Não tem essa de encontrar os responsáveis. As mulheres não são o que são apenas por si mesmas e nem os homens. Afetamos e somos afetados pelo outro, sempre! Mas a impressão que me fica é a de que perguntas como essa que fiz no título deste artigo (Mulher de atitude assusta ou encanta?) jamais deveriam ser levadas em conta no momento de nortear o próximo passo feminino ou o próximo julgamento masculino e vice-versa.

Penso estar mais do que na hora de começarmos a formular perguntas e buscar respostas dentro da gente e não fora. Importa muito menos o fato de uma mulher estar encantando ou assustando os homens com suas atitudes do que o fato de ela se questionar se estas atitudes estão realmente coerentes com seu coração, seu desejo mais genuíno e as reais intenções para sua vida!

Ainda aposto que atitudes espontâneas, sintonizadas com sentimentos conscientes, sejam sempre encantadoras; enquanto que atitudes imbuídas de estratégias e joguinhos sejam sempre assustadoras, ainda que demorem a revelar estas facetas. O fato é que quanto mais as pessoas se tornam fakes, pouco importa qual imagem estão vendendo, o resultado nunca poderá ser bom!

De modo que a minha sugestão, às pessoas que se relacionam para fazer o amor valer a pena e não para pegar o primeiro atalho e amenizar os desafios da atual relação, é que procurem ter atitudes sempre. E que procurem o equilíbrio: nem se ausentar e nem se exceder. Mas como isso nem sempre é fácil, quando não souberem o que fazer, apenas esperem, em silêncio, ouvindo o próprio coração, até que a melhor resposta apareça.

Porque, no final das contas, é sempre melhor calar enquanto não houver nada de bom a dizer. Assim como é sempre melhor aquietar enquanto não houver nenhuma atitude em harmonia com seu coração a ser tomada!

Rosana Braga

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ser mulher


Eu sou feita de carne, osso, curvas, sangue, desejos e vontades, sonhos, amores... de fases e ciclos. Sou o movimento de ser... ser simplesmente eu.

Sou feita de água, de ar, fogo e terra, sou a noite e também o dia, amo profundamente mas não provoque o meu o outro lado, que ele existe e é tão poderoso quanto meu amor.

Tenho mil nomes, muitas faces e infinitas possibilidades, quando me vejo em cada mulher, em cada fêmea, em cada quadril, a cada ventre que cria e re-cria sua história todo mês, em rubro e rosa.

Movimento da vida, movimento da morte, o ciclo do renascimento. Giros e rodopios, ondulações, movimentos que trazem o equílibrio traduzindo o Amor em nossos corpos... Verto-me em prazer. Êxtase...

Bolinhas de sabão, brincar na lama, guerra de mamona, ficar apenas largatixando no sol, ser bicho, uivar para a Lua, apurar nosso faro, correr pelos campos, pular nos galhos, gargalhar...

Aspirar a plenitude. Sou criança, sou jovem, sou velha, mãe, guerreira, filha, cozinheira, neta, dançarina.
Sou a espada e a flor. A borboleta das metamorfoses, do ballet das mudanças... Sou Completa, inteira...

Danço para criar... crio o meu mundo, curo minhas dores, meus sonhos, meus amores. Nesta dança sou aprendiz e sou a mestra...

Sou Mulher,
Sou a Loba,
Sou a Bruxa,
Sou a Fada,
Sou tudo tudo, e também posso ser nada...
Me desfaço no som, e me recrio a cada passo,
Sou Inteira,
Sou Rubra,
Sou Rosa,
Sou a Deusa,
Sou eu mesma, do meu jeito, dos meus feitos, dentro e fora do meu peito.
Sou Sagrada.
Sou Mulher.

Jad le Morgain

DAQUI!

sábado, 6 de agosto de 2011

O Mundo sem Mulheres


O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê?

O sujeito quer ficar famoso pra quê?

O indivíduo malha, faz exercícios pra quê?

A verdade é que é a mulher o objetivo do homem.

Tudo que eu quis dizer é que o homem vive em função da mulher.

Vivem e pensam em mulher o dia inteiro, a vida inteira.

Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente.

Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar sujeito igual a ele, de bigode e tudo.

Um mundo só de homens seria o grande erro da criação.

Já dizia a velha frase que 'atrás de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.

O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'.

É você, mulher, quem impulsiona o mundo.

É você quem tem o poder, e não o homem.

É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme a ser visto, o local das férias.

Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida, ficou na frente de todos os homens.

E, se você que está lendo isto aqui for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher.

Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens.

Já pensou?

Um casamento sem noiva?

Um mundo sem sogras?

Enfim, um mundo sem metas.

ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:

1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.

2- O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em nosso ombro, nosso peito.

3- A facilidade com a qual cabem em nossos braços.

4- O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito.

5- Como são encantadoras quando comem.

6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.

7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta graus abaixo de zero lá fora.

8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e rabo-de-cavalo.

9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.

10- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.

11- O brilho nos olhos quando sorriem.

12- O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não..'

13- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.

14- O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.

15- Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.

16- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.

17- O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.

18- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'.

19- As saudades que sentimos delas.

20- A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.

21- HOMENS PARINDO....IMAGINEMMMMMMMMMM!


domingo, 17 de julho de 2011

DORMIR JUNTOS



É o sonho de toda garota em vias de transformar-se em mulher: dormir junto com o seu Romeu.
Talvez ela nem tenha encontrado o príncipe ainda, mas já sonha em dividir lençóis com ele.
Um homem seu a noite inteira, os dois protegidos por quatro paredes.
Nada daquela pressa de motel, daquele cenário impessoal, daquele castigo de ter que sair de madrugada para voltar para a casa dos pais.
Nada de barraca de camping, aquele desconforto, aqueles insetos todos que não foram convidados.
Nada de cochilos na rede, de romance dentro do carro, de rapidinhas no meio do mato.
Isto faz parte do anedotário da adolescência, quando estamos a ponto de bala e tudo vale.
Bom mesmo é dormir juntos numa aconchegante cama de casal, com direito a oito horas de sono e intimidade.
Case e verá.
Dividir o mesmo colchão tem vantagens, evidente, e não apenas aquelas que você está pensando.
É ótimo enfiar os pés no meio das pernas do outro, principalmente quando está fazendo 2 graus lá fora.
É ótimo quando ele levanta para tomar água e traz um copo pra você também.
É ótimo ter alguém para pedir que investigue que barulho estranho foi aquele na sala.
É ótimo ter alguém para abraçar sem segundas intenções, sem erotismo, só pelo carinho, só pelo calor.
Pena que não seja sempre assim.
O amor é cego mas não é surdo: seu príncipe ronca.
Você não ronca, mas fala dormindo. O silêncio exigido depois das 22 horas é quebrado por grunhidos, relinchos, ruídos cavernosos.
Ou confissões desencontradas, gritos de pesadelo, nomes que não deveriam ser ditos.
Vocês acham que fazem muito escândalo acordados, mas é quando entram no mundo dos sonhos que o fuzuê começa.
Se não é o ronco que tira o humor do casal, é o termostato.
Ela quer três cobertores assim que entra março.
Ele admite uma colcha quando está nevando.
Ela dorme de pijama, meias e uma caixa de Kleenex na cabeceira.
Ele entra na cama como veio ao mundo e liga o ar-condicionado na potência máxima, não importa a estação do ano.
Apaixonados de dia, arquiinimigos de madrugada.
Ele quer a janela aberta, ela trancafiada.
Ele quer as cobertas soltas, ela gosta de tudo bem preso na cama.
Ele quer três travesseiros de pluma só para ele, ela dorme sem nenhum porque tem problema de coluna.
Ele tem o sono leve, acorda quando ela espirra. Ela tem o sono pesado, não acorda com o alarme de incêndio.
Ele se vira a noite inteira, ela se mexe tanto quanto um cadáver.
Ele gosta de ver o Amaury Jr. na cama, ela gosta de ler.
Ele deixa as meias que usou o dia inteiro jogadas no chão do quarto, ela coloca duas gotas de Chanel número 5 depois de escovar os dentes.
Ela é Marylin, ele é Maguila, e quando não estão transando, sonham com uma cama king size, até que dois quartos os separem.

Martha Medeiros

terça-feira, 24 de maio de 2011

PRAZERES FEMININOS


As mulheres, em algum momento da vida, enfrentam um dilema: "Será que eu largo tudo para ficar com ele?" Já os homens, para ficar com a gente, nunca precisam largar nada. Mulheres casadas, quando se apaixonam por outro homem, têm que tomar várias decisões, sendo que a primeira é deixar a casa, aliás, o lar, e os filhos. Essa história é meio mal contada pelos maridos, é claro: elas apenas trocam de vida e não estão largando filho nenhum. Mesmo que depois eles passem os fins de semana, de 15 em 15 dias, com os pais, isso não é abandono. A vida estará apenas mudando, como acontece com tudo o tempo todo. Já os homens estão sempre na boa: nunca precisam optar. Quando a vida toma outros rumos, geralmente têm o poder econômico em suas mãos - o que ajuda bastante -, pegam um avião e levam os filhos para passar um finzinho de semana em Miami, o que atenua qual-quer sensação de ter abandonado o tal do lar. Homens não precisam escolher entre a profissão e a família; mas, se uma superexecutiva - casada e com filhos - for transferida para Washington por dois anos, o marido vai largar o trabalho ou ela é quem vai ter que decidir entre a carreira e o casamento? Agora, o contrário: se ele tiver a oportunidade de passar uma temporada num país estrangeiro, qual será a opinião dos amigos? "Ah, que ótimo para as crianças, vão aprender outra língua." E quanto ao trabalho dela, que mesmo não sendo importantíssimo segue em franca ascensão? Ora, ora, quando voltar pode começar tudo de novo - e enquanto estiver morando fora terá chance de aproveitar vários cursos, de história da arte a pintura em porcelana. Os homens, às vezes, só matando. Eles, quando têm que viajar dois dias a trabalho, limitam-se a pedir que ela faça uma sacolinha básica para levarem. Já as mulheres têm que deixar a casa organizada e os filhos com alguém, que nunca é o pai, controlando se fizeram os deveres, se foram ao dentista - e sem esquecer de manter a geladeira cheia. Mesmo assim, vão ter que telefonar umas 18 vezes por dia para ver se está tudo em ordem. Ah, como deve ser bom ser homem. Liberdade mesmo, só eles sabem como é. Mulheres fazem tudo o que eles fazem, porém com remorso e culpa. Daqui a umas 12 gerações talvez não, mas até lá vão continuar a fazer e a sofrer. Já os homens estão tão acostumados a poder tudo que jamais conhecerão o grande prazer de - mesmo com culpa - fazer o que não pode. Por exemplo, encontrar um desconhecido num bar e tomar um drinque, coisa que as ditas mulheres sérias não têm o direito de ousar. Dizer e ouvir tudo o que uma moça correta não deveria e ir às últimas conseqüências com quem bem entender, mesmo sentindo remorso; afinal, os direitos são iguais - ou alguém vai negar isso? Mas por que a graça dessas coisas é tão maior para as mulheres do que para os homens? Porque para elas há o grande prazer, que é o da transgressão. Os homens, como têm direito a tudo, nunca transgridem e não sabem o que estão perdendo. Porque transgredir é das melhores coisas da vida.

Danuza Leão



sábado, 16 de abril de 2011

O dia que deu tudo errado


Toda vez que, como mãe, eu preciso de ajuda, me lembro de minha própria mãe e de minha avó, mulheres que plantaram sementes de sabedoria na minha alma.
Num dia daqueles, cheguei em casa e encontrei um insolente segundo aviso de uma conta de gás que não fora paga e meus três filhos quase a nocaute.

Tommy, de onze anos, reclamava de um corte de cabelo malfeito. Teve de agüentar os meninos o chamando de "carequinha", ele me contou, escondendo a cabeça com as duas mãos.
Lisa estava desolada: apesar de ter estudado tanto para o teste final da Segunda série, errara duas palavras.

Jenni, no primeiro ano, fora traída por sua risada nervosa na hora da leitura e tropeçara numa frase.
Olhei aquelas três carinhas desconsoladas com a maior ternura e a imagem de minha avó apareceu sorrindo em minha cabeça:
- Muito bem, queridos, sabem que dia é hoje? É 'um dia em que deu tudo errado'. Vamos festejar!

Eles me olharam, surpresos e curiosos. Continuei:
- Minha avó sempre dizia que aprendemos mais com nossos erros do que com nossos sucessos. Ela falava que quanto mais uma pedra se desgasta pela ação do tempo, mais longe ela vai ricochetear. Vamos ao McDonald’s para nossa primeira ‘festa do dia em que deu tudo errado’."

Essa foi a primeira de muitas outras festas por coisas que deixaram de dar certo. Procurávamos o que podíamos comemorar em meio a tragédias, em vez de nos angustiarmos pelo que tínhamos sofrido.
Espero ter plantado nas almas de meus filhos as sementes reunidas pela sabedoria das mulheres que me antecederam. E que essas sementes se espalhem nos seus próprios jardins um dia.

Maktub

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